sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um jovem físico, recém contratado em uma importante universidade Eslovaca, chefia o laboratório de Astrofísica e Nanotecnologia Aplicada à Sistemas Caóticos Clássicos. Numa noite de Sábado, um dos melhores dias para trabalhar (ninguém no laboratório, nenhum aluno bisbilhotanto ou professor desocupado querendo discutir algum artigo aleatório), Chris estava testando uma de suas últimas idéias estranhas. Ele tinha muitas, principalmente depois que sua mulher o expulsou de casa sob o argumento de que ele não freqüentava aquele lugar muito mesmo. Na verdade, Christopher não cansa em afirmar que esse é o único verdadeiro problema em sua vida, o resto pode resolver com experimentos simples.

Naquela noite a bancada do laboratório estava repleta de papeis e de anotações. Em sua frente seu principal instrumento de trabalho: uma tela de computador. O computador era um terminal de comando principal para um novo acelerador de partículas. O X31P-14 beta novinho era capaz de manter por o dobro de tempo as partículas de antimatéria geradas numa colisão de átomos sem a aplicação dos protocolos de contensão que tanto dificultavam as interpretações do fenômeno. Esse era o primeiro passo para se entender a energia escura (carinhosamente apelidada pelos cientistas de Complexo 42 - sim, todos os físicos são NERD's o bastante para entender a piada).

Naquela noite, Chris iria modificar o campo gravitacional artificial da câmara principal para descobrir como as partículas reagiriam ao contato com o Complexo 42. Apertou um botão, por cinco seguntos esqueceu que era ateu e rezou. Um barulho sempre estranho atraiu sua atenção e instintivamente olhou para o lado, um gráfico torto, assimétrico e sem legendas apropriadas saiu da impressora (lhe fazendo piscar os olhos fortemente, um tic que adquiriu no pós-doutorado, faz todas as vezes que via algo assimétrico).

Como toda descoberta revolucionária, ela foi simplesmente ignorada. O maldito gráfico ficou rodando para cá e para lá durante seis meses. Chris conseguiu, depois de quatro tentativas, descobrir as variáveis que influenciavam no constante asco que sua mulher tinha dele. Criou sua primeira e última hipótese a cerca do comportamento humano e elaborou um experimento simples: Tirou um mês de folga.
Tudo fez sentido enquanto estava assistindo a uma peça de teatro com sua mulher. Correu imediatamente para verificar os resultados. Um mês de experimentos e um divórcio depois:

Houstson, Christopher. 2030. Reabrindo a caixa de pandora: padrões de reação da energia escura sob gravidade impulsionada. New Science, 340:1-45.




Cinco anos depois, a energia escura é usada para estabilizar os resíduos da fissão nuclear. Conjuntamente com novas super-baterias e uma proposta de remanejamento de toda a distribuição de energia, o mundo deixa de usar combustíveis fósseis e queimas de carvão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário