Sentam-se várias pessoas a redor de uma mesa e cada um pega um pedaço de papel que nada mais é do que algumas características detalhadas de como deve agir e, principalmente, pensar a tal da “personagem”. O interessante desta personagem é que ele não é você. Não tem que ser e nem deveria ser de qualquer modo.
Você constrói esta personagem (personalidade) baseada em livros que leu, filmes que assistiu, pessoas que conheceu, sonhos e/ou vontades do que você gostaria de ter, ser, fazer ou desenvolver. Essa é a magia da coisa!
Quando se mestra por algum tempo e tem a oportunidade de presenciar e auxiliar no desenvolvimento de vários personagens de jogadores, pode-se perceber uma certa relação que algumas pessoas tem um arquétipo de personagem. Nesse meio existem vários arquétipos: personagens poderosos, personagens bonzinhos, personagens castrados e etc.
Eu, por exemplo, vejo uma tendência clara nos meus personagens de ter um defeito forte, que atrapalha o andamento da história do personagem e acaba tendo que conviver com isso com frequência. Faço personagens que acham que podem mais do que realmente podem e/ou principalmente personagens que agem sem muito pensar antes. Porque será? Já parei para pensar bastante, mas cheguei a conclusão que o principal motivo deve ser minha inabilidade de agir por instinto no momento que preciso. É engraçado falar isso aqui, mas acho que é importante para a linha de raciocínio.
Nesse meio, temos pessoas que são bastante tímidas. Essas pessoas, geralmente ficam no fundo da sala do colégio, não gostam da educação física e tem um círculo de amizades um pouco mais restrito do que os “popstars de bairro” que conhecem todo mundo e ficam perambulando para cá e para lá. Embora pequeno, estes círculos de amizade (pelo menos na minha experiência) tendem a ser bastante fiéis. As brincadeiras começam com card games, o descobrimento dos livros de RPG, as primeiras mesas (aquelas que ninguém sabe nada de regras e erra tudo... ahaha).
Com o tempo e experiência, as pessoas veem no RPG, mesmo provavelmente sem pensar diretamente nisso, um modo de vestir uma máscara do personagem e fazer coisas em nome dele. Ou seja, podemos testar comportamentos sem nos expormos demais e sem os grilhões de um roteiro de teatro. A ausência de um roteiro permite e demanda improvisações por parte dos jogadores, o que, na minha opinião, provoca o desenvolvimento, mesmo que não aparente, de habilidades sociais e comportamentais que podem, então, ser transferidas para outras situações do dia a dia.
Já li matérias de como aulas de teatro ajudam as pessoas a deixarem de ser tímidas. Mas nunca vi uma ponte do teatro com o RPG, ou seja, qual o efeito da improvisação constante e da ausência de roteiros e plateia?
Acho que tem muitas coisas que fazemos e aprendemos enquanto estamos em uma mesa de RPG. Lembrar destes pontos de vista, aplicações e possíveis reflexões é, na minha opinião, de suma importância para argumentar contra “abusos da mídia” que distribuí argumentos retorcidos e falaciosos do nosso hobby predileto.


Nenhum comentário:
Postar um comentário